terça-feira, 8 de junho de 2021

Haganai Volume 3 - Capítulo 1


Capítulo 1: A Alimentação da Garotinha

O primeiro dia das Férias de Verão.

Todos concordamos em continuar nos reunindo durante as férias de Verão, mas agora que penso sobre o assunto, nós nunca marcamos um horário ou nada do tipo, então eu simplesmente segui com minha rotina habitual e me dirigi para a sala do Clube mais ou menos na hora em que as aulas deveriam acabar.

Eu, Hasegawa Kodaka, levo cerca de 40 minutos para chegar a escola depois de pegar o trem e, em seguida, um ônibus.

Para mim, que nunca tinha estado em um Clube até agora, ir para a escola em um dia de folga apenas por causa das atividades do Clube causava uma sensação bastante refrescante.

Desci no ponto de ônibus que ficava bem em frente a nossa escola.

Eu me encolhi um pouco quando desci do ônibus e fui atingido por uma onda de calor abafado.

Hoje realmente está sendo um dia muito quente, a ponto de os termômetros marcarem mais de 30 graus.

Na verdade, eu estava planejando trazer minha irmãzinha, Kobato, comigo hoje, mas ela ficou encharcada de suor no segundo em que pôs os pés para fora de casa e disse: “Kh... Sol amaldiçoado... Kukuku.... Basta esperar, um dia, muito em breve, nós, os habitantes da noite, deveremos mergulhar este mundo em trevas...”, ou alguma coisa assim, e voltou correndo para casa.

Acho que sair de casa usando aquele vestido preto foi demais para ela, por causa deste calor. Não que isso seja surpreendente ou nada assim.

A propósito, eu estava usando meu uniforme.

O campus e a capela são abertos ao público em geral, então provavelmente estaria tudo bem mesmo se eu estivesse usando roupas casuais, mas, mesmo assim, eu vesti meu uniforme apenas por segurança.

De todo modo, eu caminhei rapidamente por todo o caminho até a sala do Clube.

A Sala de Encontros Nº 4, localizada na capela da Academia Santa Chronica.

Essa era a sala do nosso ‘Clube dos Vizinhos’. O Clube dos Vizinhos, um Clube com o objetivo de ‘fazer amigos’.

Nós jogamos jogos, atuamos, jogamos mais um pouco, relaxamos e fazemos o que quisermos, bebemos café ou chá, jogamos mais jogos, praticamos contar piadas, etc.

No entanto, se eu tivesse que dizer se alguma dessas coisas realmente funciona, eu teria que dar uma resposta negativa.

Na verdade, longe de qualquer uma dessas coisas funcionar, meus colegas de sala passaram a me evitar ainda mais do que antes.

Mas eu continuo a vir aqui apesar disso, uma vez que, bom, acho que é porque esse lugar me passa uma sensação boa ou algo assim.

Eu abri a porta para a Sala do Clube enquanto estes pensamentos passavam pela minha cabeça.

O ar condicionado da sala estava funcionando e eu fui recebido por um agradável ar frio.

– Ah, Aniki.

O primeiro a notar que eu tinha entrado na sala do Clube foi o Yukimura.

Kusunoki Yukimura, um calouro.

Ele é um cara, como você poderia esperar pelo nome, mas também é a imagem perfeita de uma linda jovem e usa um uniforme de empregada.

Não que ele goste de se transvestir (eu acho), mas acontece que ele foi enganado a acreditar que “um verdadeiro homem está sempre transbordando de masculinidade, mesmo quando está vestindo um uniforme de empregada”, e, portanto, ele começou a usar isso diariamente.

– Yo.

Eu devolvi seu cumprimento e fechei a porta.

Além do Yukimura, haviam outras três pessoas na sala.

Aquela sentada no sofá lendo um livro, com uma expressão mal-humorada no rosto é a Presidente do nosso Clube, Mikazuki Yozora.

Ela possuía um longo cabelo preto e foi a responsável por formar este Clube.

Aquela jogando um galge na TV no canto da sala é a Kashiwazaki Sena.

Ela é como uma modelo, com cabelo loiro e olhos azuis. Além disso, eu soube que ela é tratada como uma deusa ou algo assim pelos garotos da classe dela.

Aquela comendo batatas fritas uma de cada vez é Takayama Maria.

Ela é uma garota de cabelo prateado e que usa um hábito de freira, além disso, é também a Conselheira do nosso Clube.

Se você acrescentar a Kobato e eu, bem como a outra pessoa que no momento não se encontra aqui, você teria todos os sete membros do Clube dos Vizinhos.

A propósito, Yozora e Sena também estão usando seus uniformes, o que deixa as coisas não muito diferentes de como normalmente nos encontramos.

Como de costume, Yozora estava lendo um livro, Sena tinha sido absorvida por seu galge e Yukimura estava distraidamente ajoelhado, imóvel como uma estátua.

– Então você finalmente está aqui, hein, Kodaka.

Yozora me disse isso, com uma voz que soava como se ela estivesse com um humor pior do que o habitual, enquanto fechava o livro.

– O que você quer dizer com ‘finalmente’... essa é a hora em que normalmente nos encontramos aqui.

Na verdade, está até um pouco mais cedo do que de costume.

Se este fosse um dia letivo comum, estaríamos quase no final do 6º período, após o qual eu teria que fazer a limpeza, levar algo para o nosso professor ou passar pela biblioteca, de modo que eu nunca estava na sala do Clube em torno deste horário.

– Hmph, então você acha que está tudo bem vir aqui no mesmo horário de sempre mesmo nas férias de Verão?

Yozora disse, como se isso fosse a coisa mais normal do mundo.

– Como eu poderia saber... quando é que vocês chegaram aqui, de todo modo?

Eu perguntei. Yozora respondeu,

– Cerca de uma da tarde. A Carne já estava aqui jogando quando eu cheguei aqui.

– A chegada da Sena-anego ocorreu um pouco antes da chegada da Yozora-anego.

Yukimura disse com uma voz suave.

– Todos vocês chegaram aqui bem cedo, não é... E quanto a você, Yukimura?

– Eu cheguei aqui às oito horas da manhã.

– Hu-wah?

Eu involuntariamente deixei escapar um barulho estranho.

– Oito horas? Isso é muito cedo, não importa como você pense sobre o assunto!

Isso é ainda mais cedo do que o horário em que as aulas costumam começar.

Depois que eu disse isso, Yukimura calmamente respondeu, dizendo,

– Isso é devido ao fato de que eu teria que cometer seppuku se, por algum acaso, eu chegasse aqui depois de você, Aniki.

– Você não tem que levar esse Clube tão a sério!

Eu gritei com todas as minhas forças, embora tudo o que o Yukimura tenha feito foi me dar um olhar vazio e inclinar a cabeça.

Então, enquanto aparentava estar ligeiramente envergonhado, ele alegremente puxou um saco plástico de dentro de sua própria mochila.

...Eh? De jeito nenhum... Yukimura tirou um pedaço de pão recheado e um manga yankee de dentro do saco.

– Aqui está sua refeição de hoje, Aniki.

– Eh... Uh, eu já comi em casa antes de vir para cá...

Os olhos de Yukimura ficaram distantes após minha declaração.

– E pensar que tal coisa iria acontecer...

– Você não precisa me trazer o almoço durante as férias de Verão, sabe.

Depois de ouvir isso, Yukimura fez uma cara como se o mundo estivesse prestes a acabar.

– Então o que você quer dizer é... que estou sendo dispensado dos meus deveres?

– Como foi que você saltou direto para essa conclusão!?... Mas, bem, eu realmente não precisava dos almoços que você me trouxe até agora...

– O que... Então eu sou uma existência desnecessária para você, Aniki...

Uma expressão triste surgiu no rosto de Yukimura e ele parecia prestes a chorar a qualquer momento.

Gah, eu realmente não estou certo do porquê, mas eu me sinto muito culpado por isso!

– Ah, não, eu preciso de você! Claro que eu preciso de você! Eu super preciso de você!

Um sorriso fugaz surgiu no rosto do Yukimura.

– Sua simpatia é desnecessária... Agora que chegou a isso, devo terminar com tudo cometendo seppuku...

– Argh, isso é um pé no saco!

Eu deixei o que eu estava realmente pensando escapar.

– Ei— Ei— Onii-chan, você não vai comer isso!?

Gritou Maria, que tinha estado comendo batatas fritas até agora, cheia de alegria, absolutamente não compreendendo a atmosfera atual.

Seus olhos estavam brilhando enquanto ela olhava e babava pelo pão nas mãos do Yukimura.

– Eh? Ah, não... Maria, você ainda não almoçou?

Eu perguntei, ao que Maria respondeu,

– Sim, porque você não me deu um almoço hoje, Onii-chan...

Aquele olhar solitário em seu rosto mais uma vez fez com que um sentimento de culpa brotasse dentro de mim.

Antes das férias de Verão começarem, eu havia dito a Maria que iria fazer o almoço para ela todos os dias, uma vez que ela não gostava do gosto da comida da capela e sempre comia besteiras no lugar do almoço.

No entanto, eu nem sequer pensei em fazer o almoço para ela durante os dias que não temos aula.

Foi quando isso me acertou.

– Ei, Yukimura. Por que você não dá esse pão para a Maria? Na verdade, eu ficaria grato se você pudesse providenciar o almoço para a Maria durante todo o período das férias de Verão.

Eu pensei que isso iria funcionar, mas o rosto de Yukimura se anuviou.

– Servir a dois mestres é a coisa mais imprópria que um guerreiro poderia fazer... Eu tenho um único mestre.

De-Deus, essa cara é um saco...

– Yukimura. A Maria é, uhh... como minha irmã mais nova. Está tudo bem um guerreiro cuidar da irmã mais nova de seu mestre, certo?

– Isso é verdade. Não, pelo contrário, é uma grande honra para mim.

Parece que ele está bem com isso.

Além disso, por alguma razão o rosto da Maria estava completamente vermelho e ela estava murmurando alguma coisa.

– Irmã mais nova do Onii-chan... hehe.

...?

Bom, tanto faz.

– Lady Maria, como o Aniki me instruiu, de hoje em diante eu irei me ocupar de ter o prazer de preparar uma refeição para você todos os dias.

Disse Yukimura, que, em seguida, entregou o pão que estava segurando para Maria.

– Sim! Faça um bom trabalho com isso!

Maria energeticamente pegou o pão e começou a olhar para ele como se fosse um tipo de joia preciosa ou algo parecido.

– Ohhhh——! Então este é o pão de uma loja de conveniência——! Incrível! Eles podem colocar um pedaço de pão neste saco tão pequeno! Ohh!? Ei, ei, Onii-chan! Veja! Olhe para todos os ingredientes que eles colocaram nessa coisa! Hahahaha!

Maria me mostrou o pão com um sorriso ridiculamente alegre.

– Ingredientes? Hum, vamos ver... uwa...

Eu estava sem palavras.

Havia entre os ingredientes do ‘Pão de Yakisoba Profundamente Frito Extra Grande’ uma enorme lista de aditivos, que quase pareciam estar comprando briga com a recente popularização dos alimentos saudáveis. Corante alimentar, conservantes, aromatizantes artificiais, os nomes disso e daquilo estavam lá.

– Essa coisa vai te causar um ataque cardíaco...

Eu fiz uma careta, mas, por alguma razão, Yukimura tinha uma expressão levemente orgulhosa no rosto e disse,

– Eu escolhi este especificamente para você, Aniki. Um homem de verdade não teme algo tão insignificante quanto aditivos.

– Isso não quer dizer que você tenha que escolher alimentos pouco saudáveis para mim, sabe...

Eu não tinha prestado atenção a isso antes, mas agora me pergunto se o Yukimura esteve me dando esse tipo de pão para almoçar todos os dias.

Eu não tinha certeza se estaria tudo bem deixar uma criança comer algo assim, mas depois de ver o olhar de felicidade no rosto da Maria, eu simplesmente não poderia tomar o pão de volta.

... Bom, não é como se ele estivesse envenenado e é apenas um pedaço, então provavelmente vai ficar tudo bem.

– Yukimura, a partir de amanhã certifique-se de escolher algo mais saudável para a Maria, tudo bem?

– Entendido, Aniki.

Disse Yukimura, assentindo suavemente com a cabeça com um pequeno sorriso no rosto.

Eu estava um pouco preocupado se ele realmente sabia ou não o que eu queria que ele fizesse.

– ... Hmph, você vai ficar em sérios apuros se deixar seu cão de estimação ficar muito acostumado a luxos como este.

Resmungou Yozora.

Maria, que estava abraçando o pão como se fosse seu tesouro, estava saltando e cantando ao redor da sala enquanto cantarolava “Wafu—n— Wafun ♪” e certamente se parecia muito com um cãozinho.